Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Crianças



"As crianças sabem tudo. Essa é uma estranha verdade. Nós, pretensiosos adultos, achamos que o saber deve ser dividido em pedaços. A criança não. Elas têm o sentimento em estado bruto, a instituição, que é anterior ao saber, mas superior a ele. As crianças têm a beleza indispensável."

(Flavio Di Giorgi)

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Silêncio




eu
vento

silêncio

Onde


pés pisam
onde pisam
pés onde
pisam pés
onde pés

Campos do Jordão








do frio eu nem nunca lembrei

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Quarta-feira


um filme na tv
exatamente aquele que eu precisava
e um prato de batatas fritas
mais nada

enfim, uma noite livre


"- Tu cherches quoi?
- Une bonne place à l'orchestre, ni trop prêt, ni trop loin.
- Et à côté, il y a un siège de libre?”

(do filme Fauteils d'Orchestre, de Danièle Thompson)

Receita


um copo de água
duas colheres de mim
um punhado de ti
e me dissolvo facilmente
depois, é só levar ao forno
deixar dourar
não precisa de fôrma

Uma crise


Às vezes me pergunto porque não trabalho das 9 às 18, em um lugar só, os documentos assinados, a vida estabelecida, o mundo estabilizado.

Seria tudo tão mais fácil...

Eu, Romeu e a conta cheia.

Eu tenho um plano, que não tem nada a ver com ir, olhar, copiar, esperar. É um fazer-ir, indo-feito, não parar. Arrepiar os poros e expandir-me em cacos para além das esquinas. Saltar ex-quinas.

Despregar-me, rastejar, rasgar, sugar, tocar, desabituar-me, desabotoar, anteceder. Não quero esperar o envidraçar do infinito.

Quero condensar, triturar, estilhaçar os porquês e pisar em seus despedaços ainda quntes e úmidos. Sem pensar, respirar apenas. E formigar, apertar, engolir, expandir: dentro.

Há uma luz e eu quero sugá-la enqanto ela ainda está acesa.

Existir no próprio enquanto.

É


nosso jeito-lâmina de amar
flutuando esquilamente por entre abraços sacis
intacto desprender-se da órbita
tudo reluz: olhar
não há ar
amaciando intervalos
imagem-reticência

Domingo, 31 de Maio de 2009

Árvores


Foto by Mário Pedroni

"Écoutez-moi, dit-il. Q'est-ce qu'un arbre? Un arbre, c'est d'abord un certain équilibre entre une ramure aérienne et un enracinement souterrain. Cet équilibre purement mécanique contient à lui seul toute une philosophie. Car il est claire que la ramure ne peut s'étendre, s'élargir, embrasser un morceau de ciel de plus en plus vaste qu'autant que les racines plongent plus profond, se divisent en radicules et radicelles de plus en plus nombreuses pour ancrer plus solidement l'édifice. Ceux qui connaissent les arbres savent que certaines variétés - les cèdres notamment - dévelopent témérairement leur ramure au-delà de ce que peuvent assurer leurs racines. Tout dépend alors du site où se dresse l'arbre. S'il est exposé, si le terrain est meuble et léger, il suffit d'une tempête pour faire basculer le géant. Ainsi voyez-vous, plus vous voulez vous élever, plus il faut avoir les pieds sur terre. Chaque arbre vous le dit."

(Michel Tournier, Le coq de bruyère)

O que está faltando


DESABITUAR
D E S A B O T O A R

o momento é de flutuações