quinta-feira, 18 de abril de 2013

Justificando Shakespeare

Alguém me perguntou: Por que? Como justificar? 

Lendo, sentindo, inspirando o texto. Mastigando-o, cantando-o, dançando-o. Eu gosto muito do Shakespeare. Tenho a vantagem de conseguir saboreá-lo no original, o que faz muita diferença. Descubro frases, palavras, trechos que conversam comigo. E acho incrível, que muitos séculos depois, aquele texto é capaz de me dar um arrepio no fundo da alma. Aí escolho um trechinho, memorizo-o, "canto-o", saboreio as rimas, as palavras, a música, o sentido. Passeio com ele por aí.  E depois o levo para meus alunos adultos e adolescentes saboreá-lo na aula de inglês. Conto a história daquele pedacinho para eles. E eles vibram comigo. Isso pode ser com Shakespeare, ou com o Saramago, ou um poeta de cordel, um quadro famoso, ou um desenho que mesma eu fiz, ou um poema do Sergio Bacchi. Para mim, a arte que realmente importa é aquele que me dá um arrepiozinho lá no fundo.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Por um fio







um fio
duo vil
entre linha
você, minha?
ao longo 
som
qual a medida
do gesto
que se pede
que se mede


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Resoluções para 2013




começar o ano de costas
rumo às montanhas
atrás delas, o mar 
daqui não vejo
mas logo 
poderei voar
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Paredes



- Ah, corra e olhe o céu!
- E se não houver céu? Daqui de dentro não vejo o céu.
- Então corra e olhe o mar!
- Mais impossível do que o céu, o mar.
- Então pelo menos não corra e sinta o ar.
- Não há tempo para céu, mar, ar.