sábado, 29 de setembro de 2007

Eis...









um momento que dura uma eternidade inteira...

Time is boundless.






The Edge of Eternity
by David Makin



"Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira."

(Mário Quintana - A Cor do Invisível)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Carpe Diem!








Ela "apertou o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu"
(Clarice Lispector)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O QUE ESTÁ FALTANDO?

uma inspiração
uma praia
um abraço
umas férias
um irmão
um jardim
um quintal
uma fogueira
umas estrelas
um sofá
uma viagem

Falta saber onde vou colocar tudo isso...


"Tu cherches quoi?"






Um dia perdi um sorriso.

Desses que a gente guarda com todo cuidado para não rasgar nem amassar.

Não o vi cair. Eu andava no meio da multidão e, quando me dei conta, ele já não estava mais lá no lugar onde deveria estar. Deve ter descolado e escorregado pela camiseta, - foi o que pensei - olhando por baixo da roupa logo o encontrarei. Mas não o encontrei. Ou talvez eu o tenha deixado em cima da mesa do restaurante, foi outra conjectura. Mas quando lá voltei não havia nada, nem ninguém havia visto coisa parecida.

Andei pelas ruas enlouquecida. Perguntei nas lojas por onde havia passado e às pessoas que andavam pelas calçadas. Dei-lhes a descrição minuciosa de tamanho, espessura, cor, volume, disse-lhes que não me lembrava de como havia acontecido. Espalhei cartazes de PROCURA-SE.

"Isso você não recupera mais", era tudo o que eu obtinha em troca.


Passaram-se meses, e o sorriso fazia falta. Procurava-o desesperadamente dia e noite por todos os lugares da cidade. Mas sempre sem resultado. Custei a acreditar que nunca mais o teria de volta.

Até que um dia desisti da busca.

Já se havia passado tanto tempo que eu nem dava mais por sua falta, pois o vazio havia-se tornado rotina. E passou a fazer de tal forma parte de mim, que eu já não podia mais viver sem sua (des)presença.

Até que um dia, inesperadamente, o sorriso apareceu. Foi lá, na casa velha. Bateu à porta, pediu licença. Havia uma festa, a casa estava cheia, os amigos espalhados pelo chão de madeira da sala. Mas eu deixei-o entrar. Desde então, nunca mais foi embora.

E quanto ao vazio, deste, nunca mais ouvi falar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

SINGELICES










Hoje uma aluna da primeira série, de descendência chinesa, me deu um bilhetinho escrito assim:

"a professora priscia ela ensina inglês, é legal, eu gosta médio obrigado. Qual você mais gosta de cor?".
Me deu um beijo e saiu correndo pelo pátio.


O bilhete era um segredo. Não era prá contar prá ninguém ("nigém, ela escreveu em cor-de-rosa em baixo).

Desculpe-me, Amélia, mas achei tão singelo o seu gesto que resolvi dividir com o mundo.
Valeu o meu dia.
Curou-me do mal-humor em que estava por saber que iria perder mais um fim de semana preparando e corrigindo provas...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

ENTRESSOBRAS
















Na entressombra

pensamentos
entre sombras

entre sobras

entre sobem

estremecem

entristecem

adoecem.


Nas entressobras

do que se esvai

o silêncio

implacável

impecável
revela que eu

o que eu
não quero pensar.


Nas entressobras

do não pensar

penso muito mais.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Are you still wondering?

"When you are looking for something to do for your entire life, do not ask yourself what the world needs. Ask yourself what makes you come alive, because what the world needs is people who have to come alive."
- Gile Baile

Um poema do Chacal














NAVILOUCA

quero encontrar você
o dia amanhecendo
num buteco
tomando média
olhos claros
translúcidos
- você, aqui?

de repente nós dois
e o resto.

a gente vai
andando andando
dando risada
falando bobagem
pisando a paisagem
viagem

de repente
numa esquina
de terno o tempo
vai passar
apertado apressado.
a gente pára o tempo.
diz a ele, calmamente,

como é a felicidade
e vai seguir seguir seguir...

(Chacal)

A felicidade de um simples momento em boa companhia nos faz esquecer da paisagem, das pessoas ao redor e do tempo. Este, é como se parasse. Vive-se uma alegria sem hora nem lugar, regida por uma outra lei, um outro tempo. Um tempo que aparece descontraído, relaxado, sem camisa, de bermudas, dizendo: "estou indo, preciso passar,
but take your time". E acena com uma mão um quase-adeus sincero, e nos deixa aproveitar um pouco mais a alegria daquele breve instante.

E tudo se apaga: o cenário, o relógio, as pessoas que não fazem parte daquele pequeno universo temporário…