segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um mar




o antigo marinheiro

no balanço do tempo
tem olhar camaleão
atento, atento


nas ondas errantes

eterno bailarino
malandra aflição
ao vento, ao vento


um poço acuado

quando vento saci
boneco articulado
você aí, eu aqui

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Justificando Shakespeare

Alguém me perguntou: Por que? Como justificar? 

Lendo, sentindo, inspirando o texto. Mastigando-o, cantando-o, dançando-o. Eu gosto muito do Shakespeare. Tenho a vantagem de conseguir saboreá-lo no original, o que faz muita diferença. Descubro frases, palavras, trechos que conversam comigo. E acho incrível, que muitos séculos depois, aquele texto é capaz de me dar um arrepio no fundo da alma. Aí escolho um trechinho, memorizo-o, "canto-o", saboreio as rimas, as palavras, a música, o sentido. Passeio com ele por aí.  E depois o levo para meus alunos adultos e adolescentes saboreá-lo na aula de inglês. Conto a história daquele pedacinho para eles. E eles vibram comigo. Isso pode ser com Shakespeare, ou com o Saramago, ou um poeta de cordel, um quadro famoso, ou um desenho que mesma eu fiz, ou um poema do Sergio Bacchi. Para mim, a arte que realmente importa é aquele que me dá um arrepiozinho lá no fundo.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Por um fio







um fio
duo vil
entre linha
você, minha?
ao longo 
som
qual a medida
do gesto
que se pede
que se mede


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Resoluções para 2013




começar o ano de costas
rumo às montanhas
atrás delas, o mar 
daqui não vejo
mas logo 
poderei voar
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Paredes



- Ah, corra e olhe o céu!
- E se não houver céu? Daqui de dentro não vejo o céu.
- Então corra e olhe o mar!
- Mais impossível do que o céu, o mar.
- Então pelo menos não corra e sinta o ar.
- Não há tempo para céu, mar, ar.