sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um presente...

... em letras, palavras, música que ganhei da minha amiga Denise! Adorei!

ela é silêncio e palavra
embaixo dela tem histórias
e paisagens
menina
moça
yogini
cozinheira
escritora
artista
menina linda
sempre alerta
mas dorme cedo
lindaaaaaaaa

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Em quadro dado não se olha os dentes


Por favor, não se torne mais um retrato sobre a parede. Não me deixe aqui a empilhar silhuetas ao vento. As figuras todas estão espalhadas pelo muro, em quadrados.

(o mundo, quando nasce, se esparrama pelo chão)


Olharei para o seu ângulo, você-enquadro, achatado, um você relativo, de papel, moldura e vidro. Agora não poderá tomar mais banho, para não desbotar. Desintegrar.

Meu olhar nega-se a empacotá-lo nos abismos da memória. Você-sonho, que não. Revisito-o em um espaço de silêncios, onde já, foi. Foice. Você-quase, já não, sem detalhes.

No retrato, metáfora do vazio. Vácuo intervalo sem perfume. Desprendo-me, prego-o à parede e fecho a porta.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Incômodo



você tem que saber tudo o que te incomoda?
você tem que sorver tudo o que te incomoda?
você tem que comer tudo o que te incomoda?
você tem que lamber tudo o que te incomoda?
você tem que moer tudo o que te incomoda?
você tem que roer tudo o que te incomoda?
você tem que querer tudo o que te incomoda?


domingo, 19 de julho de 2009

Luar


Já faz algum tempo. Mas naquele dia, eu vi a lua decapitada. Lua-luz, meia-luz. Há dias em que as noites são de lobisomem.

Bem no fundo


me perdi no seu abismo
agora não sei
voltar
para quê?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não sei, acho que ainda não é isso...


ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

(Manuel Bandeira)


NÃO HÁ ALMAS
HÁ MÍNIMOS CACOS
QUE SE CONDENSAM
OU CAEM
OU ESTILHAÇAM
DESPRENDEM-SE
PERDEM-SE
INFINITOS REFLEXOS
SÓBRIOS
INEVITÁVEIS
INSTÁVEIS

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ilha Grande



talvez essa seja a minha fase
janelas

para onde olho
por onde tudo
até no mar

Flip 2009


o que houve foram reencontros, releituras, re-cortes

havia flores que cresciam no telhado


havia um mágico que triturava profundidades


"não há profundidade, há infinitas superfícies superpostas"

então, eu aprendi a cavar
e descobri que tudo é imprevisível
e supérfluo
o imprevisível é supérfluo


e conheci um contador
que me mostrou uma outra janela
sua, minha
dentro de um livro
que dava para um rio
"A água preta, quase azulada. E a superfície lisa e quieta como um espelho deitado na noite."

devorei o rio e o livro antes de voltar para casa

viagem inspira
livro expira
outra
a viagem
inspira, expira

só há recortes
e histórias a recortar para recontar