quinta-feira, 17 de julho de 2008

Querido diário...



"Todo mundo tem um coma pessoal."

"Sua escrita, você andando pela rua, toda sua vida exibida em cada ação física. Como você mantém os ombros [...]. É tudo arte. O que você faz com as mãos, você está sempre tagarelando sua história de vida."

"O que você não entende pode significar qualquer coisa."

"Você pode pintar qualquer coisa porque a única coisa que você revela é a si mesmo."

"Como o espectador controla a visão. Como o artista está morto. Vemos o que queremos. Vemos como queremos. Só vemos a nós mesmos. Só o que o artista pode fazer é nos dar algo para olhar."

"Tudo é um auto-retrato. Tudo é um diário."

(do Diário, de Chuck Palahniuk)

Você está em coma?



As pilhas. Elas estão acabando. Depois disso vem o coma. O ritmo mudo do corpo adormecido. Inconsciente. Até que alguém compre baterias novas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Conversa de botequim














- O que foi?
- Não foi, está sendo.
- Desde quando?
- Desde sempre.
- Sempre é o quanto você se conhece?
- Sempre é o que eu tenho saudade.
- A saudade não é nostágica. Ou é?
- Não, a saudade é o meu medo.
- Medo de quê?
- Medo de descer antes do ponto.
- Talvez o ponto já tenha passado.
- Talvez eu nem precise descer. Talvez eu já tenha descido.
Talvez o ponto esteja sendo. Talvez o ponto, uma linha.
- Uma reta?
- Seta. Ou flecha.
- Você se fecha...
- Eu me flecho.

domingo, 13 de julho de 2008

Qual o seu pedido?





















Tem coincidências que a gente não consegue explicar

Consoâncias que aparecem assim, de repente
E nunca mais vão embora

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sobre árvores e pés









Os pés voltaram a pisar o chão
Sinto novamente a energia, a terra, a força
Pés disformes, quadrados
Parentes ainda distantes
Passos apertados, quase vazios
Andar esquálido
Estou descendo da árvore


O Mar



"Mãe, que é que é o mar? Mar era longe, muito longe dali, espécie de lagoa enorme, um mundo d'água sem fim. Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. Pois mãe, então o mar é o que a gente tem saudade?"
(Guimarães Rosa)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

FRIEZA


Imprevista, só mostra um quase
as horas se desfazem em palavras escorregadias
gestos elásticos, toque calado
vê o amanhecer do aqui dentro
agudo, devagar
em meios

o quase amargo, salgado
tudo apertado
em quadrado
suspensa verdade dilatada

domingo, 6 de julho de 2008

Outras inspirações flipianas


"A grande capacidade da literatura é mostrar o que foge ao convívio diário, aquilo que está arredio."
(João Gilberto Noll)


"A verdade é como um diamante: reflete a luz conforme a faceta em que ela incide."
(Pepetela)


"As narrativas se passam em um espaço que é o da imaginação de quem escreve, que não é necessariamente o espaço físico."

"Um livro só se torna um filme bom quando deixa de ser um livro e se torna um filme."
(Alessandro Baricco)


"Somos, antes de mais nada, feitos e fabricados de ficções, de tudo o que imaginamos. Crescemos e vivemos fabricando ficções. A ficção serve para enriquecer a grande ficção que é a nossa vida."
(Contardo Calligaris)

Inspirações da FLIP 2008


CHICO DOS BONECOS



























mágico encantador
cantador encantado
cantante contador
num instante rompante
minha imaginação puf puf


"A inteligência só chega realmente a funcionar quando a imaginação lhe serve de guia."
(Monteiro Lobato, citado por CHICO DOS BONECOS, na Flipinha 2008)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Flip 2008 em Paraty


























Ouço a história e perfuro o dia, a tarde e a noite.
Nas pedras, tecem-se estórias que atravessam o infinito de dentro da gente.