sexta-feira, 14 de março de 2008

Desapego


O rádio do meu carro foi roubado.
Meu tênis de corrida e sapato de dançar também.
Levaram até meus óculos de grau.
O carro vai passar o sábado e domingo no conserto.
Meu celular, que até anda sozinho, está quebrado.
Pifou e fiquei sem o número de telefone dos meus melhores amigos.

Na yoga ensinam que o desapego traz o "estado de paz".
Será?
Vou deixar tudo como está.
Só como teste.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ode à quinta-feira


Hoje voltei a comer milho na esquina do metrô.
Logo depois de descer do ônibus e pouco antes de entrar na estação.
Pequeno gesto que faz todo o resto do dia parecer insignificante.


quarta-feira, 5 de março de 2008

Sobre pinturas e escrituras











Escrevo o meu silêncio, e com isso me escrevo.

As palavras colorem a folha branca,
e aos poucos uma silhueta-outra,
por minhas próprias mãos desenhada,
ensaia seus tímidos
passos para além do vazio.

Às vezes me canso das cores
e então me reescrevo.
Revisito, revisto, reviso, reviro
meu eu de papel e tinta,
em busca de um colorido novo.

E um então eu de silêncio,
na brancura vazia se colore,
desenhando contornos de seu ser-outro
em sons de página e tela.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Cadê?


A felicidade não está no mundo.
Ela se acha é aqui mesmo, dentro da gente.
É só fechar os olhos e sentir, sem pensar.
Coceguinhas que arrepiam de vez em quando.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Concerto para corpo e alma - Rubem Alves II


Tem coisa que só de ler a gente vai derretendo.
Aos pouquinhos, devagarinho.
Derrete a pele, o músculo, tudinho mais lá dentro.
Até que só a alma sobra

E, sem perceber, somos alma pura.
Vamos nos perdendo de nós mesmos,
e parece que voamos,
flutuamos,
atravessamos o infinito

Acho que fiquei mais feliz depois de ler esse livro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Concerto para corpo e alma - Rubem Alves


160 páginas.

Comecei hoje
às duas da tarde
no carro
no farol
eu dirigindo
no supermercado
no café
no ônibus
no metrô
na fila do teatro
andando
de pé
sentada

Página 100.

na cama
os olhos amolecem
mas não desistem.

Amanhã eu conto o final.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Paisagem Plural


Dizem:
este é o caminho,
mão única

Hesito.

A vida é
mão dupla
trilhas
atalhos
curvas
bifurcações
rotatórias


Escolhas possíveis
por caminhos impossíveis

Paisagens plurais
que os olhos fotografam
e a mente digitaliza.