O rádio do meu carro foi roubado. Meu tênis de corrida e sapato de dançar também. Levaram até meus óculos de grau. O carro vai passar o sábado e domingo no conserto. Meu celular, que até anda sozinho, está quebrado. Pifou e fiquei sem o número de telefone dos meus melhores amigos.
Na yoga ensinam que o desapego traz o "estado de paz". Será? Vou deixar tudo como está. Só como teste.
Hoje voltei a comer milho na esquina do metrô. Logo depois de descer do ônibus e pouco antes de entrar na estação. Pequeno gesto que faz todo o resto do dia parecer insignificante.
As palavras colorem a folha branca, e aos poucos uma silhueta-outra, por minhas próprias mãos desenhada, ensaia seus tímidos passos para além do vazio.
Às vezes me canso das cores e então me reescrevo. Revisito, revisto, reviso, reviro meu eu de papel e tinta, em busca de um colorido novo.
E um então eu de silêncio, na brancura vazia se colore, desenhando contornos de seu ser-outro em sons de página e tela.
A felicidade não está no mundo. Ela se acha é aqui mesmo, dentro da gente. É só fechar os olhos e sentir, sem pensar. Coceguinhas que arrepiam de vez em quando.
Tem coisa que só de ler a gente vai derretendo. Aos pouquinhos, devagarinho. Derrete a pele, o músculo, tudinho mais lá dentro. Até que só a alma sobra
E, sem perceber, somos alma pura. Vamos nos perdendo de nós mesmos, e parece que voamos, flutuamos, atravessamos o infinito
Acho que fiquei mais feliz depois de ler esse livro.